Capítulo 9: CUSCO – MACHU PICCHU
Quarta-feira, 17 de Abril de 2002.
Acordamos às 5:00h. Queríamos muito tomar café mas a tia do desayuno demorou e só deu pra bicar as coisas. Nem abri meus olhinhos direito e já tive que me deparar com a careta da sombra do Xineiz, o Hector.
Pegamos um táxi, a sombra foi junto é claro, até a estação de trem SAN JOSE. Era uma furdunça de gente com mochila, criancinhas remelentas, velhos com artrite, israelenses, franceses, suíços, brasileiros e etc. O Hector nos mostrou rapidamente o nosso guia, que tinha a mesma cara de inca que o resto da população e nunca o reconheceríamos. Além disso, nem perguntamos o nome dele ou que companhia de turismo pertencia. O Hector nos deu as passagens pra tudo quanto é lugar – trem, ônibus, idas e voltas, e ingressos pra entrar em Machu Picchu – em cartelas grampeadas. A gente nem sabia direito o que era pra ter e, como lá era uma zona, fazem no mesmo papel passagem pra 20 pessoas, nem percebem,os que faltava ingresso.
O Hector, ô cara chato, ficou lá até dar tchauzinho com o trem partindo. Quando sentamos no trem é que fomos conferir as passagens e vimos que eu não tinha passagem do ônibus e o Xineiz não tinha a entrada de Machu Picchu. Eu fiquei paranóica! A mocinha da companhia de trem me disse que as passagens deveriam estar com o guia. Que guia? A gente não lembrava o rosto, não sabia o nome... Eu, com a minha imaginação fértil em especial para desgraças, achei que iria acontecer de tudo, menos as coisas darem certo. Mas no final da viagem, o guia apareceu, eu quase me joguei aos pés dele e tudo ficou lindo!!!
No caminho, vimos o rio URUBAMBA, que é um dos muitos rios que vão formar o rio Amazonas. Mostraram o KM88, onde começa a trilha de 4 dias. Desceram 2 pessoas nesse trecho.
Falou-se em orquídeas incas, mas só vimos matinho.
Acho que no KM22 começa a trilha de 2 dias, onde desceram várias pessoas, inclusive o próprio Indiana Jones.
Seguindo em frente chegava-se à estação final. De lá, atravessava-se por uma feirinha, passava-se por uma ponte e então se pegava ônibus, que subiam até o monte onde está Machu Picchu.
Pra variar, a estrada era estreita, mal cabia um ônibus, mas era usada como mão dupla, sem acostamento e com desfiladeiro direto para uma morte horrível.
Chegando na entrada, há um super restaurante que não acreditei... Isso descaracteriza o lugar – chamado de Vale Sagrado. Mas o capitalismo selvagem não liga para estes contrastes que destroem as coisas belas.
Entramos em Machu Picchu atrás de uma fila enorme que passava pela bilheteria. A gente só estava esperando topar com um cara fantasiado de Mickey pra completar o cenário de fila de brinquedo da Disney.
Conforme fomos subindo, os grupos foram se dividindo. Mesmo assim é muita gente.
Trocamos de guia. Ficamos com o WILLY, que tinha uma prótese de ouro no dentes (algo que eu vi em vários “amigos” dos locais que passamos). Esse guia era engraçado. Fez varias piadinhas e pelo jeito não gosta muito da aura mística que colocam no lugar. Debochou várias vezes sobre a “ENERRIA” que há na cidade. Achei uma pena. Eu gosto que as pessoas incentivem minhas ilusões de misticismo. Mas ele foi um ótimo guia, apesar de não levitar.
Do alto da melhor vista panorâmica do lugar, o guia contou que o nome como os incas realmente chamavam a cidade perdeu-se no tempo. O lugar foi abandonado antes da chegada dos espanhóis. As palavras Machu Picchu significam montanha velha e foram ditas por um aldeão para um inglês que queria explorar o local. Depois uma criança o acompanhou até lá pela trilha conhecida pelas pessoas do local. Esse inglês ficou conhecido como o descobridor de Machu Picchu e popularizou este nome.
O guia disse que estudos arqueológicos indicam que a cidade deveria ser um centro administrativo e religioso, só para vips, mas que contrariamente ao que se podia esperar, ali não foi encontrado ouro.
Também pertence ao complexo da cidade outros prédios em montes próximos. Nesses outros picos, bem mais altos e mais complicados de se alcançar, haviam uns doidos contemplando a paisagem. Num desses picos já morreram 6 pessoas. Uma das vitimas era um japa. Demoraram três anos pra acharem o corpo. Credo!
Não passeamos por toda a cidade por falta de tempo hábil.
Tivemos sorte. O dia estava lindo! Oxx pássarox cantando, axx borboletax voando...
Diferente do que eu imaginava, lá em cima estava quente. Achei que fosse frio, mas passamos o maior calor. Deixamos 1kg de roupa numa chapelaria.
O guia ficou com o grupo por duas horas e tivemos mais uma hora livres para caminhar por lá. Não andamos por tudo. Infelizmente não dava tempo, mas o que vimos já foi impressionante.
O guia contou que o lugar foi abandonado pelos habitantes antes da chegada dos espanhóis. Todos deixaram o lugar para lutar em uma guerra civil. O Império Inca estava dividido e enfraquecido. Em meio a estas guerras internas, os espanhóis chegaram... Os incas nunca tiveram chance de voltar até o velho monte.
Como última oferenda antes de partirem, deixaram para seus deuses, enterrado próximo a uma das arvores no pátio, uma pulseira de ouro. Talvez para que os protegessem na guerra. Este foi o único objeto de ouro encontrado no local e deve ter sido uma oferenda muito importante.
Não escrevemos mais...