Capítulo 6: LA PAZ – COPACABANA – ILHA DO SOL
Sábado, 13 de Abril de 2002.
Levantamos e fomos tomar café e esperar o moço da companhia de ônibus chegar. Estávamos preocupados com atrasos porque a previsão de chegada em Copacabana era às 12:00h e os barquinhos para a Ilha do Sol sairiam às 13:30h.
O que deu pra perceber é que lá o turismo não é nada preparado para realmente receber os turistas. Os horários de ônibus não ajudam a fazer as baldeações, sendo que o destino é sempre o mesmo. Então, fazer o passeio como nós estávamos fazendo sai muito barato, mas faz mal pra coluna.
Mas enfim o carinha chegou. Nossos lugares eram no fundão. Fomos ouvindo um monte de música antiga, tipo anos 80 (até que enfim sem flautinha). Chegando lá fomos correndo ver uma guia pra nós dois. Então conhecemos a DELIA. Ela fez o seguinte plano: atravessarmos o TITICACA de barco até a parte sul e andar na trilha inca até a parte norte, onde estão as ruínas e as pousadas.
Depois de subir e descer de um barco e entrar em outro que nunca deixava a costa porque um véio pescador tinha ficado pra trás, notamos que o barquinho era um horror. Não havia janelas para ventilar a fumaça do motor, que ia toda pra dentro e não saia. E a gente respirando aquele ar . Fomos com o pessoal da aldeia. Só nós dois de turistas no barquinho. Chegamos na parte sul às 3:30. Atrasados. Teríamos que correr pela trilha pra chegar nas ruínas antes do anoitecer. Aí que começou a palhaçada... Não subi três degraus de uma escada gigante e já entrei em colapso cardio-respiratório. Senti o que é estar a mais de 5000m de altitude com meu pulmãozinho sedentário. Enquanto isso, o Xineiz estava o próprio inca-venuziano. Ele e a Delia ficavam lá pra frente, e eu colocando os bofes pra fora. Para subir cada degrau eu passava por uma sensação de morte iminente. E assim fui, capengando e carregando a mochila nas costas, até as ruínas.
A paisagem no caminho era linda, pena que eu não consegui admirar muito porque estava mais preocupada em respirar.
Ao chegarmos nas ruínas já estava escurecendo, o que foi uma pena. Devíamos ter ido de barco direto para a parte norte e se houvesse tempo para fazer a caminhada para parte sul, então faríamos. Vivendo e aprendendo.
O Xineiz tá lembrando que esse trajeto de 11km, em geral é feito em 4h e que nós fizemos em tempo Record de 3h. Ganhamos! Ganhamos! É campeão!
O caminho das ruínas até onde ficam as pousadas, foi feita na escuridão de um céu sem lua, guiados pela lanterna do Xineiz. Delia, como um favor a uma moribunda, foi carregando a minha mochila e disparou na frente, pois ele conhece o caminho. Ao chegarmos no dito cujo local nada de Delia. Aí me bateu um desespero. A Delia tinha roubado a minha mochila!!! Meu cançasso mental era tanto que nem lembrei que quando ela pegou minha mochila, me deu a sua bolsa para eu carregar.
Nossa caça a Delia foi curta. Uns caras a conheciam e nos levaram até ela. A Delia estava vendo uma pousada para passarmos a noite. Enfim paramos de andar e descansamos o esqueleto. A cama era quente!!!
Agora eu me lembro que no meio do meu devaneio de assalto a gente se deparou com uma cena estilo Indiana Jones e o Templo da Perdição. No início da aldeia tinha um cercadinho com uma fogueira e um cara mascarado dançando aqueles passinhos meio africano primitivo pra dois turistas. Vai saber o que o cara usou...
A grande pena foi que o caminho valeria milhões de vezes mais senão estivéssemos com aquele peso todo da mochila nas costas. O lugar é lindo, oxx pássarox cantando, axx borboletax voando, axx lhamas paxtando...
Mas valeu a pena.