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Capítulo 1: PRESIDENTE PRUDENTE – CORUMBÁ – PUERTO QUIJARRO
Segunda-feira, 8 de Abril de 2002.


Três e meia da matina pegamos busão rumo à Corumbá-MS. O ônibus tinha ar-condicionado, mas, como nada é perfeito, o véio atrás da gente só roncava. Acendi uma “discreta” luzinha de lanterna na cara dele, que não adiantou nada.

O povo no bus era chic no úrtimo. Um dos passageiros estava com nada mais nada menos que um rádio (grande) ligado. Percebi pelo som, é claro, e porque a antena era gigante. Ê lelê... Agüentamos forró e Raimundo Fagner (O dragão é voraz...). Fora isso, um casal xumbrega comeu três marmitões cada - com frango, ovo, farofa - dentro do ônibus, o que exalou um fedor maravilhoso. Pra não dizer que eu só reclamo, a vista era muito bonita do Pantanal.

Chegando em Corumbá, já fomos assediados por um cara querendo vender passagem de trem e hospedagem. Mas era muito “la garantia soy yo” e caímos fora só para cair nas mãos de um taxista malandrão que cobrou R$ 10,00 pra andar o que seriam uns 4 ou 5 quarteirões da Rodoviária até Receita Federal. Ele ainda teve o trabalho de dar uma volta pros manezões aqui não perceberem a engambelação.

O cara da Receita Federal falou onde poderíamos tomar um circular até a fronteira. Foi o que fizemos. Rumamos para a Bolívia e no “Posto de Imigração” (ou coisa do tipo) fomos obrigados a pagar uma propina de R$ 25,00/cabeça para poderem carimbar a porra do passaporte. Foram momentos de alta tensão psicológica, no qual qualquer movimento brusco nos faria desistir da viagem e voltar para casa. Tudo isso por causa da carteirinha de vacinação... A gente fez a carteira de vacinação internacional pouco antes de atravessar a fronteira, mas a vacina foi tomada em dezembro. Logo estava ok com o prazo de 10 dias entre a vacinação e o início do efeito terapêutico. Mas como corrupto acha sempre uma desculpa para roubar, a data da vacinação não importava e sim a data que fizemos a carteirinha.

Morrido os R$50,00, fomos para dentro de PUERTO QUIJARRO, onde nos hospedamos no suntuoso Gran Hotel Colonial. Gostou do nome? Na verdade, de grande não tinha nada e muito menos de colonial. Poderia muito bem se chamar Gran Pulero Medieval, com sauna seca incluída na diária. Ô calor do Inferno!!! O chuveiro do “baño” dava medo de morrer alí pelada. Um horror...

Conhecemos uns israelitas na Estação de Trem (depois perceberíamos que é a nação mais presente pelo caminho). Um deles, o “Serginho” do Big Brother, falava português. Eles riram da nossa cara quando dissemos que nós dois estávamos indo para Machu Picchu. Neste dia ainda nos aventuramos andando de carro com estranhos, com quem compramos passagens para andar de Bracha no dia seguinte. Ah! E o banquete do jantar foram batatas aceboladas e água!!! Estávamos em quatro: eu, o Xineiz e duas pulgas.


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