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Guia (não muito) prático pra Machu Picchu


A melhor época do ano para fazer a viagem é entre os meses de abril a setembro, pois é muito difícil chover nessa época. O mês de abril é muito bom pois é "fora de temporada", fica mais fácil conseguir passagens e hospedagem, os preços são mais baixos, e não chove nem faz muito frio. Mas o melhor mês deve ser junho, por causa da festa do sol, dia 21, solstício de inverno, data em que os incas comemoravam o ano novo. Porém, as diárias de hotel ficam bem caras. Pra se ter uma idéia, em Cusco paguei S/.20,00 (vinte soles) em um hotel razoável, o que em abril de 2002 era menos de US$6.00, e na época de alta o preço vai pra US$25.00! Uma outra boa dica é levar pouca roupa. Apesar da viagem durar uns 20 dias, roupa pra 5 dias é o suficiente, pois em no máximo 5 dias você já estará em La Paz, onde existem várias opções de lavanderias, depois de mais 5 dias no máximo você chega a Cusco, mais lavanderias. Depois disso provavelmente vai passar 4 dias sem tomar banho pra fazer a trilha inca, e depois pra voltar são mais 4 dias no máximo. Protetor solar é uma boa idéia, pois em Machu Picchu faz muito calor e o sol é forte. É bom levar um pouco de comida, pois principalmente no começo da viagem é difícil achar algum lugar confiável pra comer, e também pode ser que você não tenha coragem de encarar a comida do trem. Batatas em tubo (tipo Pringles) são boas porque não despedaçam no meio da bagagem, chocolate, bolachas recheadas e barras de cereais também são fáceis de levar. Repelente também é bom. Não compre muito filme pra máquina fotográfica aqui no Brasil. Tanto no Peru quanto na Bolívia, um filme de 36 poses e ASA400 da Kodak custa menos de R$8,00. Uma coisa que eu achei legal foi que todos os policiais que encontrei na rua foram muito simpáticos e atenciosos, e sempre deram informações certas. Pode confiar!


Primeiro passo: chegar em Corumbá-MS. Se vira... Vai de avião, a pé, de ônibus, bicicleta, carona, não importa. Chegando lá, você vai ter a chance de comprar a passagem pro trem na banquinha de jornais, quem olha não dá nada, mas é um super centro comercial e de lavagem de dinheiro. Hehehe! Se não quiser arriscar e preferir comprar a passagem na Bolívia, pergunte onde fica o prédio da Polícia Federal. Não pegue taxi, um taxista nos cobrou R$10,00 pra ir até lá... A impressão que deu é que era super perto, menos de 10 quadras. Chegando no prédio da Polícia, pergunte onde é o ponto de ônibus pra ir até a fronteira Brasil-Bolívia. O ponto fica logo na esquina, o ônibus passa de hora em hora e nos custou R$1,25. Em menos de 20 minutos você chega na fronteira e atravessa a pé. Aqui, uma dica importante. Pra passar pro território boliviano, é necessário ter se vacinado contra a febre amarela pelo menos 10 dias antes. Você vai precisar mostrar a carteirinha de vacinação INTERNACIONAL. A gente chegou com a carteirinha de vacinação brasileira, aquela branca, e o cara queria cobrar R$50,00 de cada um pra poder entrar na Bolívia. Então, voltamos pro lado brasileiro, onde tinha um trailer do ministério da saúde, e o tiozinho trocou a carteirinha branca pela laranja, mas colocou a data do dia. Voltamos ao lado boliviano, mas o filho da mãe não quis aceitar a carteirinha, pois alegava que tinha sido feita no dia, apesar de a data da vacina ser de meses antes. Depois de muita conversa, conseguimos passar pagando R$25,00 cada um. Sendo assim, se você não tiver a carteirinha internacional, vá até o trailer do ministério da saúde ANTES de mostrar o carão pro fiscal boliviano, e peça pro tiozinho colocar no cartão a mesma data que tem a vacina, e não a data do dia. Fazendo assim você atravessará sem problemas. A partir desse ponto da viagem você verá carros japoneses por todos os lados, principalmente Toyota. São carros transformados (o painel fica do lado direito, a direção é arrancada e colocada do lado esquerdo) muito baratos, que são "desovados" aqui.


Chegando no lado boliviano, procure uma agência de turismo pra comprar sua passagem de trem. Na estação de trens só vendem até a classe Pullman, é boa, mas recomendo viajar utilizando a classe Bracha. A classe Bracha é privatizada, portanto você não vai encontrar passagens à venda na estação. É apenas 1 vagão, é bem sujo porque apesar de ter ventiladores em todos os bancos, o calor é infernal e não tem como viajar de janela fechada. Não entram vendedores nas diversas paradas, a maioria dos passageiros é turista, não precisei me preocupar com bagagem, passam filmes, as cadeiras reclinam (se não tiver ninguém atrás de você, pode até dormir na posição horizontal), servem café da manhâ (um pedaço de bolo ou coisa do tipo, e um copo de café, que é gostoso mas não combina nada com o calor) e jantar (não se preocupe com a aparência, provavelmente você vai estar com fome, vai comer tudo e achar uma delícia). A agência em que compramos a passagem é de um brasileiro, Bolivia Travel Tours. Essa agência fica na rua que você vê atravessando a fronteira (é a única), Av. Bolivar, no. 483. Aproveite pra trocar dinheiro com a Brigite. Na época, US$1,00 valia Bs.7,00 (sete bolivianos), e R$1,00 valia Bs.2,85. Se você tiver reais, é mais vantagem trocar agora e deixar pra usar os dólares mais adiante na viagem. Se você tiver cartão melhor ainda, pois você paga a conta aqui no Brasil utilizando a cotação do dólar comercial. O preço da classe Bracha foi de Bs.155,00. A classe Pullman custava Bs.104,00 e o Ferrobus, um trem especial que só sai 3 vezes por semana, possui apenas 2 vagões, e chega em 12h em Santa Cruz de la Sierra, custava Bs.202,00. Porém, como só tem 2 vagões, é difícil conseguir passagem no dia, e não sei se é seguro, confortável, ou se tem algum "serviço de bordo" incluso. Se você tiver azar e não conseguir passagens para o dia, ou então chegar depois que o trem já tenha saído (o que aconteceu comigo), o jeito é tentar voltar pra dormir em Corumbá, ou então dormir em Puerto Quijarro mesmo. Um taxi até a estação de trens custa entre Bs.10,00 e Bs.15,00, dependendo do seu "poder de negociação". Bem perto fica o Gran Hotel Colonial, onde nós dormimos. É um cafofo, com direito a pulga e tudo, mas é muito barato, um quarto (pieza ou habitación) pra duas pessoas com banheiro no quarto (baño privado) saiu Bs.40,00 e é quase em frente a estação de trem. O difícil é encontrar um lugar que inspire confiança pra comer, então apelamos pra batata e bolacha recheada. Jamais confie na água, sempre tome água mineral. Uma garrafa de 2l de água custava Bs.5,00. Não esqueça de comprar uma pra levar no trem.


Ao embarcar no trem, leve seu mochilão com você. Existe um vagão só para bagagens, se você for corajoso e "desprendido" o bastante pra deixar lá. Mas não é aconselhável, existe espaço no vagão Bracha pra mochila, caso ela não caiba no compartimento acima da sua cabeça. Se você tiver uma camiseta velha "descartável", utilize na viagem. Ela vai estar imunda quando chegar em Santa Cruz, o ideal é jogar fora. A viagem até Santa Cruz dura umas 20h. Enquanto isso, aproveite o calor, a poeira na cara, os filmes (passaram A.I. e Original Sin), a comida (segura na mão de Deus e vai, comi na ida e na volta e não me fez mal...), os mosquitos, e a vista (o mais legal que vi foram os tucanos). O trem para várias vezes durante o caminho, e você vai ver milhares de vendedores, de água, refrigerante (gaseosa) e comida de todo tipo (eu não arriscaria). O bom é que na classe Bracha nenhum deles entra no vagão. Chegando a noite, torça pra não ter ninguém atrás de você, ou então procure um outro lugar, abaixe o encosto do banco e durma. Ou tente dormir.


Chegamos em Santa Cruz de la Sierra por volta das 10 da matina. O terminal é bimodal, trens e ônibus. Aqui você tem 2 opções, ir a Cochabamba ou direto a La Paz. Preferimos a segunda opção. Escolha uma empresa que tenha ônibus leito (bus cama), pois a viagem é longa. As empresas Bolivar ou Copacabana, por exemplo. A passagem custava Bs.50,00, o ônibus saía às 17:00h e chegava em La Paz às 8:00h. Enquanto isso, você pode tomar banho na rodoviária (Bs.1,00 por pessoa), ou ir até um dos hotéis em frente e tentar negociar um quarto com baño por algumas horas. Uma curiosidade, lá eles não cobram a taxa de embarque (derecho al uso de andén) direto na passagem, então você vai ter que pagar à parte, são Bs.3,00 por pessoa. Aproveite o tempo pra conhecer a cidade, mandar notícias via e-mail (internet por Bs.5,00 a hora no próprio terminal), ou ligar pra mamãe, no posto da Entel, a companhia telefônica de lá. Utilize o número 080050190 ou 800100055 para fazer uma chamada a cobrar via Embratel. Para comer, use seu estoque de batatinhas, arrisque algum dos pratos deles, ou coma um lanche. Não achamos nada assado, então tivemos que apelar pra frituras. Arriscado, mas não fez mal. Comemos no próprio terminal, no Restaurant Camba, com uma dona muito simpática que explicou o cardápio pra gente. Comemos empanadas de queso (tipo um pastel de queijo), e hamburguesas con papas fritas (hamburger com batata frita pingando óleo), e uma coca-cola, Bs.10,00 por pessoa. Aqui você pode repor seu estoque de água, batata e chocolate, existem algumas lojinhas que vendem essas porcariadas, é um pouco caro (uma Pringles custava Bs.15,00), mas é a vida, duvido que você tenha coragem de comer alguma coisa nos lugares onde o ônibus para, ou então de comprar alguma coisa dos milhares de vendedores que entram no ônibus no caminho.


Embarcamos pra La Paz pela empresa Bolivar. O ônibus era bom, espaçoso, com TV (passaram 4 filmes, The Lost World, um com o Jean Claude Fandangos, Evolution e Titanic) e banheiro (imundo). Mas o maldito ônibus quebrou no meio da estrada. Andamos muito tempo somente com a 1a. marcha, não sei como não fundiu o motor, até que achamos um lugar onde tinha um soldador. Ficamos muito tempo parados, pra consertar o maldito. No fim das contas acabou sendo bom, pois começamos a "subir a serra" pra La Paz quando já estava claro, tinha chovido e a estrada que já é perigosa de dia, seria muito mais à noite. É super estreito, caberia 1 caminhão com segurança, mas eles dão conta de por 3 caminhões lado a lado na estrada, não sei como, mas a vista do precipício a poucos centímetros de você é muito bonita, depois fica chato, chegando no altiplano. Passamos por Cochabamba, é horrível. Quase chegando em La Paz, você provavelmente vai conseguir ver alguns picos nevados muito bonitos. Depois de 24h de viagem, finalmente chegamos, as 17:00h. A primeira visão de La Paz é chocante. É um buracão inteiramente preenchido por casas, parece uma favela gigante. La Paz está dividida da seguinte maneira: na parte mais baixa, a 3500m de altitude, vive a população mais rica, no meio, a 3800m, a classe média, e no topo, a 4100m, a classe mais baixa. Chegando no terminal rodoviário, é hora de procurar um hotel. Tinha uma indicação do hotel Virgen del Rosario, que ficava na rua (calle) Santa Cruz. Perguntamos e disseram que era perto, fomos a pé. Realmente a rua não era longe, mas não achamos o tal hotel. Ficamos no hotel Majestic, o endereço é calle Santa Cruz, no. 359, a duas quadras da Plaza San Francisco (bom ponto de referência se você resolver sair andando como nõs). Muito bom e confortável. Um quarto para duas pessoas, com baño privado, água caliente e café da manhã (desayuno) custava Bs.100,00. Aproveite pra dar uma volta pela cidade, pois a maioria dos passeios turísticos sai bem cedo e provavelmente você não vai conseguir chegar a tempo. Na esquina do hotel existe um lugar onde trocava US$1,00 por Bs.7,05. Existe uma lavanderia ao lado deste lugar, Bs.6,00/Kg. Nessa mesma rua, Illampu, comprei uma super hiper mega jaqueta de frio por Bs.120,00, uma pechincha. Se você não tiver uma, aproveite pra comprar agora. Nos "camelôs" de lá você vai achar de tudo, toda espécie de chás (uma caixa de chá de coca com 200 saquinhos sai por Bs.15,00) e incensos, abortos de lhama secos (superstição, eles enterram uma pata em cada canto e a cabeça no centro do terreno onde vão construir uma casa), e artesanato. Nem quis ver preço de tênis, porque levei muita roupa e não teria como trazer, mas provavelmente deve ser também muito barato. O centro de La Paz até que não é tão horrível como o resto, visite a catedral da Plaza San Francisco (torça pras catacumbas estarem abertas, quando fomos estava fechada porque tinha chovido muito dias atrás) ande pela avenida que passa na frente, você vai encontrar uma pizzaria boa (não lembro o nome), cinema, e até Banco do Brasil, se você tiver conta no banco pode aproveitar e sacar dinheiro, melhor que trocar seus dólares. Existem várias opções de tours a partir de La Paz, aproveite pra planejar. Recomendo a Maya Tours, fica na calle Sagárnaga no. 339, fica no mesmo quarteirão do hotel, na rua paralela. As opções são o City Tour, as ruinas pré-incaicas de Tiahuanacu ou Tiwanaku, ou visitar a estação de esqui de Chacaltaya, a mais alta do mundo. Recomendo a visita a Tiahuanacu, nos juntamos a mais 4 brasileiros e fechamos uma van particular, com guia, a Bs.70,00 por pessoa. Se você for na temporada de esqui (se não me engano começa em junho), pode ir esquiar em Chacaltaya, por apenas US$20,00. Como nosso tempo era curto, fizemos só o passeio de Tiahuanacu mesmo.


Seguimos então para Copacabana. Não quisemos comprar o pacote turístico da agência pois era muito caro, US$50,00 por pessoa. Se você também não quiser fazer o passeio, recomendo que compre a passagem no ônibus de turismo da própria agência (são bem melhores que os ônibus de linha, e praticamente o mesmo preço), Bs.20,00 por pessoa. Antes de chegar a Copacabana, você vai ter que descer do ônibus pra atravessar de barco o estreito de Tiquina, no lago Titicaca, custa Bs.1,50 por pessoa. O ônibus chega em Copacabana por volta do meio dia, e as lanchas pra Ilha do Sol saem às 13:30h, o boleto até a parte sul da ilha custa Bs.10,00 por pessoa. Procuramos uma agência que tivesse guia pra nos levar até a ilha, e descobrimos que isso não é usual por lá, geralmente o povo vai por conta própria. Mas insistimos e conseguimos uma guia, a Delia, que queria cobrar US$30,00 pra nos guiar, mas negociamos e chegamos a US$15,00. Ela nos levaria até a parte sul, caminharíamos 11Km até a parte norte, onde existem ruínas incas, e depois mais alguns quilometros até o povoado, onde iríamos dormir. Verdadeiro programa de índio, não recomendo fazer isso. Pra começar, o barco atrasou 1h, chegamos na ilha depois das 15:30h. Na parte sul não há nada pra se ver, só uma fonte inca e umas escadarias. O caminho é bonito porque dá pra ver a imensidão do lago Titicaca, mas com uma mochila de 10Kg nas costas e respirando ar rarefeito morro acima tudo perde muito da beleza, e além disso já dá pra ver a grandeza do lago durante a viagem de ônibus. Enfim, completamos a travessia da ilha em 3h (percurso que normalmente é feito em 4h), chegamos nas ruínas e mal pudemos apreciar, pois já estava quase escuro e ainda teríamos que caminhar mais 40 minutos até o povoado. A sorte é que eu tinha uma lanterninha que deu pro gasto, porque senão seria caminhada em trilhas estreitas na escuridão total, e absolutamente extenuados. Finalmente chegamos no povoado, e achamos um lugar pra dormir, o Hostal Cultural, Bs.10,00 por pessoa sem baño privado. Mas nem precisou de banheiro, desmaiamos... O mais certo seria ter comprado o boleto direto até a parte norte, passear pelas ruínas com calma, e dormir no povoado. Esqueça a parte sul e a Ilha da Lua. Se você tiver a oportunidade de conhecer as ruínas e a Ilha da Lua, por favor me conta como é!


Acordamos as 7 da matina pra pegar o barco de volta a Copacabana às 8:00h, a volta da parte norte custa Bs.15,00. Torça pra viajar em um barco que tenha bancos no teto. Tanto na ida como na volta viemos em barcos fechados, e o cheiro de gasolina é insuportável. Neste dia, de jejum, com o cheiro de gasolina e o lago agitado, acabei passando mal e vomitando no lago navegável mais alto do mundo. Hehehehe! A Sandra também enjoou, passamos o dia comendo bolachas (galletas) de água e sal. Então mudamos nossos planos, resolvemos passar direto por Puno, sem conhecer as ilhas flutuantes do lago Titicaca, e ir direto a Cusco. As passagens, tanto pra Puno como pra Cusco, podem ser compradas em uma das várias agências que existem por ali. Se você resolver fazer os passeios pelas ilhas, provavelmente pode comprar pacotes turísticos nas agências também. Só a passagem até Puno custa Bs.15,00 e até Cusco, Bs.60,00 por pessoa. Existem várias opções de restaurantes e cafés em Copacabana, e hospedagem fácil, caso você fique mais tempo. Os ônibus pra Puno e Cusco saem as 13:30h, então pra matar o tempo conhecemos a catedral e as milhares de barraquinhas de artesanato.


Finalmente embarcamos para Puno, passamos pela fronteira entre Bolívia e Peru, sem problemas. O ônibus para em uma casa de câmbio pra trocar dólares por soles, mas sugiro que troque bem pouco, pois a taxa de câmbio não é das melhores. Neste local US$1.00 valia S/.3,40 e Bs.1,00 valia S/.0,45. Você não vai precisar de mais do que S/.5,00 por enquanto. O ônibus que a gente foi parou na "garagem" da "empresa", e quem ia pra Cusco foi deixado na rodoviária de taxi, de graça. Aqui novamente você terá que pagar o derecho al andén, que custa S/.1,00 por pessoa. Ainda tínhamos 4h de espera pra pegar o ônibus pra Cusco (fique esperto com o fuso horário), então conhecemos um inglês e fomos até o centro de Puno de taxi, por S/.2,50. Chegando na Plaza de Armas, andamos um pouco e encontramos várias casas de câmbio. Aqui dava pra trocar US$1,00 por S/.3,44, e Bs.1,00 por S/.0,50. Andamos pelo centro e comemos numa boa pizzaria (não lembro o nome), uma pizza grande (que dá pra 2 pessoas com fome moderada) sai por S/.14,00. Andamos mais um pouco e achei um ponto de internet, S/.3,00 a hora. Depois de tudo isso, voltamos pra rodoviária, faltando ainda 1h pro ônibus, que saía as 19:30h. Meia hora depois descobri que tinha perdido minha carteira, e pra aumentar a zica tava chovendo. Peguei um taxi e fiquei rodando no centro, e por milagre achei a pizzaria, e por mais milagre ainda, a carteira estava na cadeira onde eu tinha sentado, intocada. UFA! Voltei bem a tempo de pegar o ônibus, UFA de novo. Paguei com gosto S/.6,00 ao taxista.


A viagem até Cusco foi bastante tumultuada. Primeiro tivemos que aguentar um show de um mala tocando flautinha e chocalho, depois aguentar a música alta do ônibus, depois aguentar uma parada de mais de uma hora onde subiram milhões de pessoas que se amontoaram nos corredores e encheram o teto do ônibus de bagagem, depois o susto de acordar com um monte de gente gritando, mala caindo na sua cabeça, e o ônibus fazendo zig-zag na estrada (eu achei que o bus tinha saído da estrada e tava caindo numa ribanceira, não pensei que ia morrer, mas que ia me machucar bastante). Depois de alguns segundos de terror o ônibus parou e o motorista falou que desviou de uma pedra e perdeu o controle. Tá... Dormir no volante se chama "desviar de pedra" no Peru... Depois disso, horas e horas dando ré numa estrada super escura procurando as bagagens que tinham caído do teto. Depois disso, o povo que não queria que apagasse a luz do ônibus, e depois disso, Cusco finalmente. Chegamos umas 4:30h, e pudemos dormir no ônibus até as 6:00h. Entrando na rodoviária fomos cercados por milhares de pessoas oferecendo hospedagem, e a que mais me interessou foi uma que ficava mais ou menos perto da Plaza de Armas (onde tudo acontece), e que me ofereceu taxi pra ir conhecer o lugar "sem compromisso". Embarcamos no taxi e "sem compromisso" não quisemos ficar no lugar. Fomos a pé até a Plaza de Armas, e no caminho fui abordado por um cara de nome Hector, que me ofereceu um hotel bom por US$25,00. Hostal del Inca. Disse que era caro, que podia pagar no máximo S/.20,00 por pessoa, e ele disse ue tudo bem. Depois fui saber o porque desse desconto absurdo, é que nessa época os hotéis ficam quase vazios, então eles fazem qualquer negõcio pra ter hóspede. Devia ter pedido menos... O hotel era razoável, água caliente, baño privado, desayuno, e bem próximo do "fervo". Então esse cara não desgrudou mais da gente, ofereceu os passeios e a ida a Machu Picchu. Achei os preços bons e acabei comprando. Mal sabia eu que o cara queria o dinheiro adiantado, confiei desconfiando e por sorte não era enganação e acabou dando tudo certo. Mas eu não recomendo que façam isso, o melhor é se instalar e procurar uma das várias agências de turismo (agencias de viaje) que existem em volta da Plaza de Armas, pagar um pouco mais caro, mas ter garantias. No nosso caso, era no esquema "la garantia soy yo"... Compramos um city tour por Cusco, US$5.00, tour pelo Valle Sagrado, US$10.00, e a ida a Machu Picchu de trem, US$80.00 (US$70.00 para estudantes com carteirinha da ISIC) com tudo incluso, entrada, passagens de trem e ônibus. Para visitar Cusco e seus pontos turísticos é necessário comprar um boleto turístico, US$10.00 ou US$5.00 para estudantes, que deve ser comprado na catedral, e que é checado em cada ponto visitado. Tentei usar minha carteirinha da ISIC vencida para comprar os tours e deu certo. Para fazer a trilha inca, o preço era de US$185.00, incluindo carregador, comida e guia. Aproveite para comprar todos os seus presentes no passeio do Valle Sagrado, na feira de Pisac. É tudo muito barato, e pechinchando sai mais barato ainda.


Se você tiver pressa de chegar em Cusco na volta de Machu Picchu, desça em Poroy (uma estação antes de Cusco) e pegue um taxi, são S/.5,00 por pessoa. Com isso você vai ganhar 1h mais ou menos. Chegamos de Machu Picchu na quarta à noite, umas 20:00h. Nosso ônibus saía às 21:30h, compramos a passagem com esse mesmo Hector, DIRETO a La Paz, por US$25.00. Como nada é perfeito e a sorte não é eterna, fomos enganados, o ônibus não era direto porra nenhuma. A ÚNICA empresa que faz Cusco - La Paz direto é a Trans Internacional Litoral, uma empresa boliviana, e o preço é esse mesmo, US$25.00. Não acredite em ninguém que diga o contrário, ou será enganado como nós. Se você não quiser ir direto, e não se importar de ficar horas e horas parado em Puno, pode escolher uma das milhares agências da Plaza de armas, com preços em média de S/.70,00. O que me deixou menos chateado é que não fomos os únicos enganados, tinha mais uns gringos e um casal de senhores de Florianópolis. Em Puno, 7:00h, queriam mudar a gente de lugar porque iam entrar outros passageiros (não era mais fácil colocar eles nos assentos vazios???) e nos obrigaram a descer do ônibus pra "limpar" o ônibus (não vi limpeza nenhuma, só um boné de um gringo que foi "limpado"), e a gente não poderia ficar esperando na plataforma, tínhamos que entrar na rodoviária só pra ter que pagar S/.1,00 de novo. Revoltados com tanta enganação, chamamos então a polícia e não tivemos que pagar nada, foi a maior confusão. Infelizmente não conseguimos nenhuma compensação pela estória do ônibus direto. Chegamos em La Paz as 17:00h de quinta, pegamos o ônibus pra Santa Cruz às 19:30h, e chegamos lá 13:00h de sexta. Pra comprar as passagens pra classe Bracha você tem que sair do terminal e comprar numa agência que fica do outro lado da rua. Esqueci o nome, mas perguntando no balcão de informações do terminal vão te explicar direitinho. A passagem custou Bs.153,00 e o trem saía 15:30h. Mais uma vez você terá que comprar o derecho al andén de Bs.3,00. Pra ganhar tempo, descemos em Paraderos junto com um casal de irmãos argentinos (blergh!), e pegamos um taxi até a fronteira por Bs.10,00 cada um, e com isso outra vez ganhamos 1h mais ou menos. Finalmente atravessamos pro Brasil, e pegamos um taxi até a rodoviária, R$25,00. Chegamos na rodoviária 9:30h do sábado.


Pronto. Esta foi minha viagem a Machu Picchu. Procurei colocar preço e horário de tudo, pra quem estiver indo ter uma noção aproximada do quanto vai gastar. Qualquer dúvida, sugestão, comentário, mande um e-mail pra mim.


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